perguntas :)

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"Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas nos levam de volta, elas são chamadas recordações. Outras nos levam a diante, essas são chamadas sonhos." Jeremy Irons

Olho ao redor. Me sinto sufocado aqui.

Não, eu não estou em um avião.

Todos os assentos ocupados. Mais gente vai subindo. Às vezes recebo um “Bom dia”, às vezes não. O ônibus está começando a cheirar mal. Vai ser uma longa viagem. Para passar o tempo, gosto de analisar o perfil de cada pessoa que entra no ônibus.

Ótimo, daqui a pouco começam as reclamações. É legal ver o circo pegar fogo. Sempre tem aquela barraqueira que começa a gritar em uma discussão. Não sou essa barraqueira. Aliás, tem uma causando uma discussão lá na frente agora. Provavelmente é por causa da falta de assento para ela.

Também não sou aquele carinha esquisito com tatuagem na mão direita e fone de ouvido lá do fundo, neutro a tudo. Eu lembro daquele cara em especial. Vi ele ontem no shopping. Estava se declarando para uma garota. Foi engraçado quando ele começou a recitar o poema. Todos os amigos dela ao redor, olhando e rindo, e a garota ficando cada vez mais vermelha. O modo como ela o dispensou foi humilhante. Você deve pensar que ela era superficial, e que só ligava para status. Mas na verdade… bem, não tenho nada a dizer, é exatamente isso mesmo.

Aquela garota lá na frente me lembra ela. Morena bonita, daquelas que chamam a atenção em qualquer ambiente que entram. Quando eu entrei, ela estava com um espelho em uma mão, e um estojo de maquiagem da outra. Não pense que ela era fútil como a garota que dispensou o esquisito; longe disso, ela estava muito arrumada, provavelmente se preparando para alguma entrevista de emprego. Bonitona ela. Também batalho muito para me dar bem na vida, mas ainda sou muito novo; tenho muito o que aprender, muito o que viver.

Também não sou o pedreiro sentado no terceiro banco do lado esquerdo encostado à janela. Nem aquela senhora com três enormes e pesadas sacolas – como aquela mulher vai conseguir chegar em casa?

Tudo normal. Um cochilo. Três minutos se passam. A barraqueira está discutindo com a bonitona. Um garoto chega para apartar. Coitado dele, vaio apanhar feio dela. Aqueles quase cem quilos de pura ousadia contra o magrelo esquelético. Ele só está tentando ajudar. Mais outro cochilo. Tudo normal agora. Uns dez minutos devem ter passado. A barraqueira emburrada, o magricela sentado, lendo, acuado. Coitado, só queria ajudar.

O magricela é estudante, por sinal. Mochila pesada, com um livro na mão. Está lendo alguma coisa de anatomia. Ele poderia ser útil para cuidar da bomba. Ah, a bomba… Um terceiro cochilo. O engarrafamento continua. Quantos minutos terão se passado dessa vez? Não contei direito, estava preocupado com outra coisa nessa hora. Caso queira saber, não sou eu quem está cochilando. É a garota ao meu lado. Só estou contando o tempo entre um e o outro. Coitada, deve estar mesmo cansada do dia. Que tédio… Quarto cochilo. Ela acorda com a bomba.

Quem desconfiaria que uma senhora de idade, daquelas com cara de simpática, que vão todo domingo à igreja, andaria com uma bomba? Quero dizer, eu vi quando ela subiu no ônibus. Um rapaz jovem ofereceu o assento pra ela. Coitado, vai viajar em pé. Como eu. A senhora agradece, e começa a puxar assunto com o rapaz ao lado dela. Uma discussão começa. Alguma coisa com o fato de o rapaz ser gay e ela se recusar a sentar ao seu lado. A barraqueira, inconformada, começa a xingar a idosa, apontando o dedo na sua cara da senhora. Que falta de respeito. Ao que parece, nesse alvoroço todo, a gorda se desequilibra e bate na patricinha, que borra toda sua maquiagem. Segunda discussão. Essa é a que o magricela tentou apartar. Será que ele achou que teria chance com a patricinha? Pelo menos foi essa versão que uma garota sentada atrás de mim me contou. Seus pulsos tinham cicatrizes de cortes. Coitada.

De repente, a bomba explode. Tudo para. Você não achou mesmo que a senhora de idade carregaria uma bomba, não é? Não, a bomba não estava com ela, nem com a barraqueira, nem com a patricinha, nem com o magricela. Não estava com a garota ao meu lado, nem com a garota atrás de mim. Estava com o esquisito do fone. Pelo menos era isso que você pensaria se fosse uma bomba de verdade.

Mas não era. A bomba estava comigo, e eu não sabia disso. Engraçado como tudo parou quando ela explodiu, e de repente as coisas foram sumindo, até que não existia mais nada. Só uma voz:

- Ambulância!

Foi engraçado ouvir o grito da barraqueira. Acho que esbocei um último sorriso no rosto.

A bomba era o meu coração

so�

5 months ago
0 notes

Fui no mercado comprar café, veio a formiguinha e subiu no meu pé

maarianabreu:

Adolescentes normais: Que merda é essa? Que coisa infantil!

Eu: eu sacudi sacudi sacudi, mas a formiguinha nao parava de subir

(Source: tediototal, via captiveprincess)

10 months ago
12,597 notes

yeahunicornio:

O simples motivo de não traduzir os nomes de seriados ao pé da letra.

(Source: mycuteway, via andrebb)

1 day ago
4,373 notes

A Copa é em 2014 e faltam:

3 anos, 
12 estádios e 1 seleção, 
30 hotéis, 
14 aeroportos, 
120000 km de rodovias, 
2.000 km de metrô, 
6 trens balas, 
115 favelas pacificadas, 
33.000 soldados preparados, 
2000 restaurantes, 
150000 motoristas de taxi falando inglês e espanhol, 
20000 km de esgoto, 
50 milhões de m³ de água despoluída, 
e a recuperação da floresta Amazônica, Pantanal e Mata Atlântica. 

9 months ago
2 notes